segunda-feira, 31 de janeiro de 2011


Quando nasci,voce estava prestes a completar seus tres anos de idade.E se mordeu de ciumes quando deixou de ser o unico filho da casa.

Aos poucos fomos crescendo e fazíamos de um quarto vazio o nosso mundo da bagunça.Ao invés de brincarmos,fingíamos ser cientistas,astronautas.

Mas mesmo assim voce morria de ciúmes de mim,e me judiava,me batia,me irritava,estragava minhas bonecas.

Mal voce sabia que era meu maior exemplo,era em quem eu me espelhava.

Mal sabíamos o que faríamos do futuro,sem rumo e tão incerto.

Parecia que a infância seria eterna para nós.

E crescemos.

Eu lembro quando voce ganhou um violão:radiante.Arranhou alguns acordes,feito bebê tentando andar.Lembro quando conseguiu tocar uma música clássica,tão nostálgico.

Um dia,ameacei cortar as cordas do seu violão.

Mas voce me acalmou tocando um minuet.

E voce tocou,fazia da casa uma caixinha musical.

Mas,um dia voce quis ir embora,mas prometeu sempre voltar.

E quando voce volta,a música volta a tocar.

Dó,ré,mi,fá,sol,Mozart e Bach.

Meu amigo velho,seus 20 anos de boy:that's over baby!Mas prometa para mim:não deixa o violão se calar.

domingo, 30 de janeiro de 2011


A equação matemática é simples:por fora você é um corpo.Por dentro é memória espalhada nas experiencias.Você é silêncio e você não pode fugir disso.Só assim voce pode se aceitar e lavar as suas mãos,assim os outros vão,e você fica.

Mas lembre-se: voce nunca é o que pensa ser.

sábado, 29 de janeiro de 2011

sexta-feira, 28 de janeiro de 2011


Quero viajar dentro da sua cabeça e passar o dia lá.Ouvir as coisas que voce não disse e ver o que pode ser que voce veja.Saber se sente alguma coisa...Quero ver suas idéias tomarem forma e irem embora.
A liberdade,ela tem um perfume,como o topo de uma cabeça de um recém nascido.
As cançoes elas estão nos seus olhos,e as vejo quando voce sorri.
...

quarta-feira, 26 de janeiro de 2011


A eternidade é algo realmente intrigante.

Quando olho pro céu,fico pensando se existe realmente alguém nos olhando de lá.Alguém que realmente nos carregue nos braços e cubra nosso espirito quando estamos com frio.

Quando olho as estrelas,sinto vontade de pega-las,e elas se tornam inatingíveis,tanto quanto aquelas pessoas que já se foram.E aí a saudade brota,e cresce.E ela é uma faca de dois gumes,assim como o tempo que nos leva pra longe de tudo que já vivemos.

E as vezes acabo sentindo raiva das estrelas,porque elas brilham tanto mas ficam tão longe.Assim como as lembranças que me trazem alegria,e ao mesmo tempo a nostalgica certeza:nunca mais voltará.

O nunca mais deveria ser uma palavra que nao deveria existir.Nunca!


Os dias que nos distanciam do nosso encontro,são os mesmos que nos aproximam do nosso reencontro.

domingo, 23 de janeiro de 2011


Antes meus dias pareciam uma eternidade:eram feitos de lapis de cor,brinquedos,gibis,figurinhas,e desenhos animados.Ainda posso lembrar do cheiro do doce na panela que minha avó fazia enquanto eu matava formigas no quintal.
As brigas com meu irmão eram intermináveis,mas no final tudo se resolvia com uma volta de rolimã na rua.
E como era gostoso quando chegava o domingo:a família toda reunida na mesa,e me soa tão nostálgico a buzina do sorveteiro.
Parece que quando somos crianças,tudo é mágico, por sermos mais ingênuos talvez...
A cada ano parece que essa magia vai sumindo,sumindo,sumindo...Começamos a aprender sobre a maldade,e todas as coisas que turgem nossos olhos.
Aí,nós vemos que chorar para nao ir à escola já não funciona mais.As brincadeiras perdem a graça,o palhaço fica cinza e nossos brinquedos e o giz de cera são substituídos por grandes livros,que nos tornam escravos de uma rotina de estudos.Nossos pais já não arrumam nossa cama para ir dormir e fica quase tudo por nossa conta.

Uma vez,uma professora minha disse: crescer dói.

Pois é,ela tinha toda razão!

viver é uma dádiva total